
Nelson Valente
É excitante imaginar, Levy Fidelix, num confronto com os atuais candidatos à prefeitura de São Paulo. O que seria de Serra, Chalita e Haddad, por exemplo, tendo como adversário um Levy Fidelix, como vimos no debate promovido pela TV Bandeirantes?
Ataques contundentes, tiradas divertidas, réplicas desconcertantes, imagens inventivas ? só políticos com raciocínio rápido e bastante jogo de cintura sabem usar na dosagem certa esses golpes, truques e movimentos que decidem um debate eleitoral. Sua sintaxe é um caso à parte. Em seus discursos procurou sempre utilizar um vocabulário apurado, recheado por frases de efeito. É o jeito Levy Fidelix de ser.
Nesse contexto, Levy Fidelix acertou as regras do processo de comunicação interpessoal e não fez uso somente dos meios de comunicação tradicionais, partindo para a conquista dos líderes de opinião, que propagaram suas mensagens com recursos e veículos que apenas esses líderes possuíam a habilidade em manejar.
Nos tempos do nosso convívio, na prefeitura de São Paulo, ria-se muito das tiradas imprevisíveis do ex-presidente Jânio Quadros. Precursor de um naipe incrível de trabalhar o avesso da comunicação. Tudo era notícia. Sabia criar notícias como ninguém e não saía da mídia, não gastou nenhum tostão de 1986 a 1988, enquanto Prefeito da cidade de São Paulo, com verbas publicitárias. Detestava pesquisas. Sobre pesquisas no país, Jânio Quadros a sintetizou numa frase: “No Brasil, toda pesquisa é um número”.
Candidato a prefeito de São Paulo, em 1985, Jânio Quadros enfrentou Fernando Henrique Cardoso, que tinha o apoio do presidente (José Sarney), do governador (Franco Montoro) e do prefeito (Mario Covas), o engajamento de artistas da Globo e tanta confiança que até posou na cadeira do prefeito.
O Ibope previu a vitória de FHC e Jânio chamou as pesquisas de “desonestas”. O dono do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, disse que não o processaria por considerá-lo “um doente”. Jânio ironizou:
- Ele deve ser melhor médico do que pesquisador.
Jânio venceu e desinfectou a cadeira usada por FHC.
Parece que esse alegre desfilar aritmético está prestes a terminar, como enfatizava o ex-presidente Jânio da Silva Quadros. Enquanto isso não acontece, prossegue o samba do “crioulo doido”, cada um sacando números a bel prazer, como se fôssemos uma nação de irresponsáveis.
Não resta dúvida de que estamos reconhecendo a ditadura da mídia no Brasil, onde os “ibopes” e “datafolhas” poderão no futuro vir a substituir os eleitores, e assim não precisaremos mais ter eleições.
Na leitura crítica da mídia, a linguagem, constituída a partir de um “mundo” editado, passa por inúmeros “filtros” – pela observação dos fatos e pelo relato da declaração do outro – na construção da notícia ou na construção da pesquisa. É preciso ficar atento à ideologia presente em cada fala, porque todo discurso é ideológico e reflete a realidade que a retrata.
No imaginário popular, o que importa é como a mídia descreve, interpreta, fotografa e divulga o mundo. A mídia pauta o mundo e forma ou deforma mentalidades. Se não saiu na mídia não aconteceu.
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Nelson Valente é jornalista, professor universitário e escritor. Pesquisador nas áreas de psicanálise, comunicação, educação e semiótica. É mestre em Comunicação e Mercado e doutor em Comunicação e Artes. O autor também é especialista em Legislação Educacional, Psicanálise,Teoria da Comunicação e Tecnologia Educacional e já publicou 16 (dezesseis) livros sobre o ex-presidente Jânio Quadros e outros sobre educação, parapsicologia, psicanálise e semiótica, no total de 68 (sessenta e oito) livros e alguns no prelo. Ex-presidente da Academia Blumenauense de Letras/ALB, Acadêmico. Membro da Sociedade dos Escritores de Blumenau/SEB
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Nelson Valente é jornalista, professor universitário e escritor. Pesquisador nas áreas de psicanálise, comunicação, educação e semiótica. É mestre em Comunicação e Mercado e doutor em Comunicação e Artes. O autor também é especialista em Legislação Educacional, Psicanálise,Teoria da Comunicação e Tecnologia Educacional e já publicou 16 (dezesseis) livros sobre o ex-presidente Jânio Quadros e outros sobre educação, parapsicologia, psicanálise e semiótica, no total de 68 (sessenta e oito) livros e alguns no prelo. Ex-presidente da Academia Blumenauense de Letras/ALB, Acadêmico. Membro da Sociedade dos Escritores de Blumenau/SEB.